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	<title>A Ceia das Cinzas</title>
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	<description>Escritos de um pseudônimo do heterônimo que escreveu O Evangelho de São Pecador</description>
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		<title>A Ceia das Cinzas</title>
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		<title>Trinta Livros</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Sep 2011 15:42:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>amanciosiqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Como tenho produzido pouco para o blogue, que está tão parado quanto o romance homônimo, resolvi pegar o questionário que o Daniel Lopes apresentou no Índex e respondê-lo aqui. Acredito que todos aqueles apaixonados por livros deveriam tentar respondê-lo, pois é um excelente exercício para uma memória que já não é suficiente para tanta informação [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amanciosiqueira.wordpress.com&amp;blog=12921657&amp;post=38&amp;subd=amanciosiqueira&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como tenho produzido pouco para o blogue, que está tão parado quanto o romance homônimo, resolvi pegar o questionário que o Daniel Lopes apresentou no Índex e respondê-lo aqui. Acredito que todos aqueles apaixonados por livros deveriam tentar respondê-lo, pois é um excelente exercício para uma memória que já não é suficiente para tanta informação acumulada, além de servir como dica preciosa para outros apaixonados por esses objetos transcendentes que amamos com amor táctil.</p>
<p>Dia 01 — O livro mais querido de todos os tempos: O Cristo Recrucificado e Zorba, o Grego, ambos de Nikos Kazantzakis. É com certeza a pergunta mais difícil do questionário. Mesmo uma lista dos cem preferidos seria difícil, e corta o coração deixar de fora livros do próprio Kazantzakis, como A Última Tentação e Testamento para El Greco, além de Dom Quixote, Moby Dick, Alice no País das Maravilhas, Danúbio e tantos outros.</p>
<p>Optei pelos dois porque em minha vida como leitor eles funcionam como um só. O Cristo Recrucificado mudou minha vida uma vez, tornando-me quase que um fanático religioso, e Zorba, o Grego, elevou-me à categoria de ateu místico. Posteriormente descobri que toda a obra de Kazantzakis tinha muito de auto-biográfica, e que os livros tinham ocorrido em momentos de sua vida similares aos que eu próprio vivera no tempo em que os lera.</p>
<p>Dia 02 — Um livro que você não gosta: O Sol também se Levanta, de Hemingway. Ao invés de falar sobre o livro, prefiro comentar a pergunta e a maneira de respondê-la. Há dezenas de livros dos quais não gostei, alguns inclusive que detestei mais do que o escolhido. O que percebo na minha resposta e nas da maioria dos leitores é que é mais interessante responder com algum livro ou autor que seja um cânone ou quase isso, do que falar de um livro que quase ninguém leu. O iconoclasmo é sempre perigosamente divertido, além de servir como uma advertência para o leitor incauto.</p>
<p>Sobre O Sol Também se Levanta, acho apropriadas as palavras de meu amigo Márcio Jardson, quando o leu: esse cabra não sabia o favor que estava fazendo para a humanidade quando deu um tiro na cabeça.</p>
<p>Dia 03 — O livro favorito da sua infância: Peter Pan, de Monteiro Lobato. Até hoje não li o original, mas a adaptação de Lobato foi incrível. Eu o li já tarde, com uns dez anos, mas senti-me como uma criança, a ponto de, ao terminar a leitura, correr para o muro de minha casa e observar os céus, à procura de vestígios da Terra da Nunca.</p>
<p>Dia 04 — O primeiro livro que lhe fez chorar: Peter Pan, de Monteiro Lobato.</p>
<p>Dia 05 — Um livro que lhe faz sorrir: Metafísica do Amor, de Schopenhauer. Eu me divirto muito com o pessimismo do filósofo alemão, ainda mais quando ele se propõe a observar de perto as relações entre homens e mulheres.</p>
<p>Dia 06 — Um livro do seu autor favorito: A Última Tentação, de Kazantzakis. Posso dizer que é um romance que não apenas me influenciou como pessoa, como também como escritor. Inspirou profundamente o meu Evangelho de São Pecador.</p>
<p>Dia 07 — Um livro que você odiou mas teve que ler para a escola: Nenhum. As escolas que frequentei não obrigavam a ler. Eu lia por conta própria, porque amava a biblioteca. Talvez por ser o único lugar, além do banheiro da minha casa, em que eu podia ouvir os meus próprios pensamentos sem interferência. Mesmo na faculdade de Letras que eu fiz  os estudantes não eram obrigados a ler, e a maioria saiu sem conhecer os clássicos que deveriam comentar quando estivessem ensinando.</p>
<p>Dia 08 — O livro mais assustador que você já leu: 1984, de George Orwell. Sempre gostei do gênero terror/suspense, mas nunca me senti particularmente assustado. Poderia citar Enterrem meu Coração na Curva do Rio, de Dee Brown, mas optei pelo 1984 por ser uma ficção que pode simbolizar diversas realidades, e porque o futuro sempre é mais assustador que o passado.</p>
<p>Dia 09 — O livro mais triste que você já leu: Passei um momento extremamente difícil ano passado, quando li ao mesmo tempo Enterrem meu Coração na Curva do Rio, de Dee Brown, A Cidade do Sol, de Khaled Hosseini, O Quinze, de Raquel de Queiroz, e A Menina que Roubava Livros, de Markus Zusak. Num período de quinze dias eu vivi todo o sofrimento do mundo, dos nativos americanos dizimados ao longo dos séculos, das mulheres do Afeganistão tratadas como animais de propriedade dos homens, de uma nação sob o jugo do nazismo e em guerra contra o mundo, e das vítimas das secas no sertão do qual eu venho. Todos me fizeram chorar abundantemente, e novamente coloco-os como um único livro: o livro do sofrimento e do desespero.</p>
<p>Dia 10 — O clássico favorito: Dom Quixote, de Cervantes. Simplesmente incrível, emocionante, divertido. Uma obra-prima.</p>
<p>Dia 11 — O livro favorito com animais: Alice no País do Espelho, de Lewis Carrol. A fauna dos mundos de Carrol são impressionantes pela sua diversidade plena de ilogicidade. Nem a natureza foi capaz de igualá-lo.</p>
<p>Dia 12 — O livro favorito de ficção-científica: Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. Distopia similar a 1984, o mundo apresentado aqui é controlado com uma “lógica científica” similar à dos campos de concentração nazistas, embora a eugenia seja praticada em tubos de ensaio, e não em câmaras de gás.</p>
<p>Dia 13 — Um livro que te faz lembrar de alguma coisa, um dia: Todos os livros me recordam de alguma coisa; em geral, de outros livros.</p>
<p>Dia 14 — Um livro que te faz lembrar de alguém: O Caçador de Pipas, de Hosseini, traz lembranças de meus amigos.</p>
<p>Dia 15 — O livro favorito dos feriados e folgas: Pra mim não existe leitura de férias. Mantenho o mesmo gosto. Se eu fosse tirar férias da leitura, leria Paulo Coelho, Augusto Cury e alguns espíritas ou cristãos. Se não matassem os neurônios, seriam um bom descanso.</p>
<p>Dia 16 — O livro favorito que virou filme: Zorba, o Grego. A atuação do Anthony Quinn é magistral.</p>
<p>Dia 17 — Um livro que é um prazer culpado: Os do Dan Brown. Fico pensando que tenho coisa melhor pra ler, mas não consigo largá-los. Felizmente acabam em poucas horas.</p>
<p>Dia 18 — Um livro que ninguém esperaria que você gostasse: Os do Dan Brown.</p>
<p>Dia 19 — O livro de não ficção favorito: É difícil definir um livro de não-ficção, ao menos para mim. Sempre que tento colocar algum aqui, fico na dúvida. Colocaria os Ensaios, de Montaigne. Tenho dialogado com ele, para meu romance A Ceia das Cinzas, e posso dizer que raras vezes tive tão interessante interlocutor.</p>
<p>Dia 20 — O último livro que você leu: The Sign of the Four, de Arthur Conan Doyle. Uma típica história de Sherlock Holmes.</p>
<p>Dia 21 — O melhor livro que você leu este ano: Crítica literária: Nuevo Elogio de la Locura, de Alberto Manguel. Esse sujeito simplesmente amplia meu prazer pela leitura e minha paixão pelos livros. Filosofia: O Mundo como Vontade e Representação, de Schopenhauer. Literatura: Moby Dick, de Herman Melville. Se Camus considera Melville o Homero do oceano Pacífico, eu considero Moby Dick o Dom Quixote dos mares.</p>
<p>Dia 22 — Livro favorito que você teve que ler para a escola: Não tive que ler para a escola. Dizem as más línguas que é por isso que amo tanto a leitura.</p>
<p>Dia 23 — O livro que você leu mais vezes durante toda a vida: A Bíblia e O Lobo da Estepe, ambos três vezes. Não costumo reler os livros, simplesmente porque sempre tem muitos inéditos à minha espera.</p>
<p>Dia 24 — Sua série de livros favorita: Não sei se os livros de Conan Doyle com Sherlock Holmes formam uma série, então vou de As Brumas de Avalon, de Marion Zimer Bradley. Ainda não terminei Guia do Mochileiro das Galáxias e O Senhor dos Anéis. A série do Sandman de Neil Gaiman merece destaque entre os quadrinhos.</p>
<p>Dia 25 — Um livro que você odiava mas agora ama: O Evangelho de São Pecador. Depois de finalizá-lo, passei por uma crise puerperal, e cheguei a rejeitá-lo, mas hoje o considero uma grande obra, inclusive figuraria entre os meus cinquenta livros preferidos.</p>
<p>Dia 26 — Um livro que lhe faz adormecer: O Ser e o Nada, de Sartre. Embora eu goste do livro, não consigo ler mais que vinte páginas seguidas sem ter que apelar para outro livro, para me manter acordado.</p>
<p>Dia 27 — A história de amor favorita: Os Noivos, de Alessandro Manzoni.</p>
<p>Dia 28 — Um livro que você pode citar de cor: Quando li Elogio da Loucura, de Erasmo de Roterdã, e O Livre Arbítrio, de Schopenhauer, podia citá-los de cor. Isso se deu aos dezesseis anos, então eu ainda tinha pouca coisa ocupando minha mente. Hoje esqueço quase tudo logo depois que leio. Fica apenas a sensação da leitura. Felizmente o prazer se mantém.</p>
<p>Dia 29 — Um livro que alguém leu pra você: Nunca leram algum livro completo pra mim. Ouvi alguns trechos ou poemas em recitais ou rodas de leitura.</p>
<p>Dia 30 — Um livro você ainda não leu, mas quer: As obras completas de Jorge Luis Borges, no original.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/amanciosiqueira.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/amanciosiqueira.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/amanciosiqueira.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/amanciosiqueira.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/amanciosiqueira.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/amanciosiqueira.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/amanciosiqueira.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/amanciosiqueira.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/amanciosiqueira.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/amanciosiqueira.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/amanciosiqueira.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/amanciosiqueira.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/amanciosiqueira.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/amanciosiqueira.wordpress.com/38/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amanciosiqueira.wordpress.com&amp;blog=12921657&amp;post=38&amp;subd=amanciosiqueira&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Suicida não praticante</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Sep 2011 14:48:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>amanciosiqueira</dc:creator>
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		<title>Um rei mago</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Jan 2011 01:29:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>amanciosiqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[a ceia das cinzas]]></category>
		<category><![CDATA[histórico]]></category>
		<category><![CDATA[romance]]></category>

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		<description><![CDATA[Livro Um Capítulo Um Os Reis Magos Falar que chora o coração é mais que pura metáfora. Nosso coração pranteia mais do que poderiam nossos olhos suportar. Felizmente, não há vias naturais pelas quais possam esvair-se as lágrimas sangrentas que o coração derrama pelo nosso corpo quando lamuria-se no silêncio de uma dor aprisionada. Assim [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amanciosiqueira.wordpress.com&amp;blog=12921657&amp;post=33&amp;subd=amanciosiqueira&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Livro Um</p>
<p>Capítulo Um</p>
<p>Os Reis Magos</p>
<p>Falar que chora o coração é mais que pura metáfora. Nosso coração pranteia mais do que poderiam nossos olhos suportar. Felizmente, não há vias naturais pelas quais possam esvair-se as lágrimas sangrentas que o coração derrama pelo nosso corpo quando lamuria-se no silêncio de uma dor aprisionada. Assim soluçaram os corações de Cristóbam e Felipa ao chegarem a Veneza, a belamente livre e livremente bela terra em que haviam batido ao mesmo ritmo pela primeira vez. A crônica sobrepusera-se à poesia de tal maneira que tais dias de felicidade pareciam pertencer a outros. A antiga felicidade ficou-lhes ainda mais alheada quando Cristóbam descobriu por intermédio de seu banqueiro que não havia qualquer ordem de pagamento em seu benefício. Seus corações choraram o desgosto de um paraíso perdido e de uma traição que os impediria de reavê-lo.<br />
Somente o indulgente auxílio de Ariosto poderia salvaguardar aquela família errante. Os corações murmurando uma súplica, abalados pela expectativa, finalmente ultrapassaram a Porta Degli Angeli e viram-se cercados pelas seguras muralhas de Ferrara. A família Este transformara toda a cidade num gigantesco monumento em homenagem à arte e à ciência. Em meio à suntuosidade dos palácios e obras de arte, não era difícil identificar a simples casa de Ludovico Ariosto, com sua fachada de tijolos avermelhados e as nove largas janelas gravitando em torno de uma grande porta ovalar. Cristóbam leu a inscrição da fachada antes de bater: “Parva, sed apta mihi, sed nulli obnoxia, sed non sordida, parta meo, sed tamen aere domus”. Relembrou o orgulho que aquele homem sábio e importante guardava pela sua casa simples, porém aconchegante e, o mais importante, comprada com seu próprio dinheiro. Recobrou a esperança de auxílio de um homem simples e bom, e bateu a aldraba.<br />
O largo e bondoso rosto de Alessandra Benucci surgiu na porta entreaberta, e logo expandiu-se num largo sorriso que os envolveu no aconchego da casa. Em poucos instantes surgia Ariosto de braços abertos, ao abraço de Cristóbam e Felipa. A simpatia entre o idoso e a criança foi mútuo. Antes que Cristóbam pudesse explicar a visita, o poeta falou-lhe:<br />
– Lembra-te do meu poema Orlando Furioso? Acabo de receber alguns exemplares de sua edição definitiva – ao menos assim espero. Espera que já te trago um.<br />
Daí a instantes voltou com um grosso volume ricamente encadernado.<br />
– Dedicar-vos-ei este volume.<br />
– Temo não poder pagá-lo por agora, Don Ludovico.<br />
– Ora, Cristóbam. Não te devo dinheiro e nem poderia, já que não devo a ninguém. Contudo, contraí outras dívidas contigo. Vosso amor muito me inspirou, de modo que há versos nesse livro que vieram de tal fonte. Percebi que em eras de loucura é preciso lutar e amar loucamente. Quando assisti a vosso matrimônio, percebi quanto o amor é importante. Aceitai, se não como presente para vós, como um legado para vosso filho. Vosso amor motivou-me a trazer Alessandra para cá, mesmo sob o risco de perder os benefícios eclesiásticos.<br />
– Amigo, foi nosso amor que aqui nos trouxe, em busca de tua mercê, pois ele não foi suficiente para evitar nossa ruína.<br />
– Seria demasiado fácil acalentar um amor louco se não houvesse riscos. Os riscos e as penas nos mostram o valor do prêmio. Não merecerei ser criticado se vos der pouco, pois dar-vos-ei o que puder dar.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/amanciosiqueira.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/amanciosiqueira.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/amanciosiqueira.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/amanciosiqueira.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/amanciosiqueira.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/amanciosiqueira.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/amanciosiqueira.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/amanciosiqueira.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/amanciosiqueira.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/amanciosiqueira.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/amanciosiqueira.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/amanciosiqueira.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/amanciosiqueira.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/amanciosiqueira.wordpress.com/33/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amanciosiqueira.wordpress.com&amp;blog=12921657&amp;post=33&amp;subd=amanciosiqueira&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>De teocracias disfarçadas e a última minoria</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Oct 2010 13:36:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>amanciosiqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[“Os loucos, aleijados, cegos e mudos são homens em quem os demônios fizeram a sua morada. Os médicos que curam estas enfermidades como se tivessem causas naturais são idiotas ignorantes. As pessoas deram ouvidos a um astrólogo novato (Copérnico) que lutou para provar que a terra é que gira, não os céus ou o firmamento, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amanciosiqueira.wordpress.com&amp;blog=12921657&amp;post=30&amp;subd=amanciosiqueira&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“Os loucos, aleijados, cegos e mudos são homens em quem os demônios fizeram a sua morada. Os médicos que curam estas enfermidades como se tivessem causas naturais são idiotas ignorantes.<br />
As pessoas deram ouvidos a um astrólogo novato (Copérnico) que lutou para provar que a terra é que gira, não os céus ou o firmamento, o sol e a lua. Este louco quer contrariar toda a ciência da astronomia. Mas as Sagradas Escrituras dizem-nos (Josué 10:13) que Josué ordenou que o sol parasse e não a Terra.<br />
A Razão deveria ser destruída em todos os cristãos. Ela é o maior inimigo da Fé. Quem quiser ser um cristão deve arrancar os olhos da sua Razão.”</p>
<p>Martinho Lutero</p>
<p>Para os líderes religiosos radicais, não basta elevar o vício da ignorância a virtude imprescindível para a salvação. Também precisam demonizar aqueles que não concordam com isso.  Mais, fazem o caminho inverso e transformam a inteligência em pecado, a razão em apostasia, a sabedoria em heresia.<br />
Já escrevi sobre a imposição a todos de dogmas que deveriam ser privados e sobre os problemas de uma democracia que dá às maiorias o direito de impor-se sobre as minorias. Na ocasião, alguns me acusaram de fundamentalizar os contrários ao aborto e de subverter o conceito de democracia. Poucos meses depois, vimos uma disputa eleitoral ir ao segundo turno graças a uma minoria populacional que detém um grande poder econômico e midiático e quer mandar na maioria, mudando a agenda política para tirar o foco das grandes questões nacionais e colocar em discussão opiniões sobre temas que não competem ao poder executivo, e sim ao legislativo. Os pastores evangélicos mobilizam-se para usar seu rebanho imerso na ignorância a uma cruzada para estabelecer uma nova idade das trevas, dessa vez com sermões via satélite. Os mesmos satélites que foram criados por cientistas “imorais e demoníacos” no passado.<br />
Além da televisão, outro produto de “impiedosos filhos de Satanás” que agora serve para propagar seus preconceitos, sua intolerância e seu ódio é a internete. Milhares de emeios, postagens em blogues, fóruns e redes sociais dão o recado do fundamentalismo: não toleraremos qualquer avanço nos direitos humanos, em especial no que tange a mulheres e homossexuais. O próximo passo? Abolir religiões de origem africana ou indígena. Afinal, eles lutaram por liberdade religiosa enquanto não possuíam o poder que detêm agora. Devem erradicar qualquer outro deus, já que o deles é o único. Uma denominação religiosa monoteísta só defende liberdade de culto quando é minoria.<br />
Os pastores e padres não aceitam tratamento com células-tronco embrionárias. Por quê? Aos fiéis, dizem que por princípios cristãos. Mas será um princípio cristão condenar pessoas a deficiência e dor quando se pode salvá-las? Há apenas um motivo para que a religião lute tanto contra o avanço na medicina: se todas as doenças fossem curadas pela ciência, não haveria tantos desiludidos da realidade iludindo-se com as curas imaginárias das igrejas.<br />
No primeiro mandato de Lula fiquei pasmo com o destaque que a imprensa deu à declaração do cardeal Eusébio Scheid, que disse: “Lula não é católico, é caótico.” Vários jornalistas cercaram o presidente da República para cobrar-lhe uma resposta, como se qualquer cidadão, inclusive um Chefe de Estado, fosse obrigado a ser católico. Pior, Lula respondeu defensivamente, confirmando tal obrigatoriedade.<br />
Agora são os evangélicos e grupos católicos de orientação fascista que querem obrigar os candidatos a alinharem-se aos seus dogmas. Sob o emblema da família e dos valores morais cristãos, escondem seu patriarcalismo, seu ódio a todos que ousam ser diferentes.<br />
O mais cruel é que o PSDB, que já sofreu com uma campanha difamatória semelhante quando Fernando Henrique Cardoso, concorrendo à prefeitura de São Paulo em 1985, teve seu ateísmo explorado pela campanha de Jânio Quadros, agora se utiliza do mesmo expediente sem qualquer receio. Muitos PSDBistas acusam o PT de demonizar FHC ao comparar os períodos em que estes partidos estiveram na presidência. Qualquer pessoa isenta perceberá na campanha serrista do segundo turno que é o próprio PSDB que demoniza o ex-presidente. Não bastasse eles tentarem esconder FHC no primeiro turno, agora vão para o ataque contra pessoas com o seu perfil. Espalham-se os emeios que dizem que os “ateus satanistas” (sic) querem dominar o mundo e instituir uma “ditadura homossexual”, com direito a “comer criancinhas e legalização da maconha”. Escondem ainda mais Fernando Henrique, que participa de um grupo internacional que defende a descriminalização da erva.<br />
Dilma, para não perder votos, enreda-se no esvaziamento do discurso eleitoral e se vê na necessidade de deixar de lado os grandes temas como saúde, direitos humanos e educação. Aliás, o manifesto dos reitores do Brasil em favor de Dilma, por considerá-la a melhor candidata para fazer avançar o ensino superior no Brasil, é um verdadeiro fogo amigo contra a candidata, já que para fundamentalistas falar em avanço da educação é falar em escassez de fiéis, digo, de “domínio do demônio” sobre uma sociedade racional, quer dizer, “ímpia”.<br />
O fato é que, a depender dos líderes cristãos, a Terra ainda seria o centro fixo e achatado do universo e estaríamos tratando as doenças com exorcismos (na verdade, anda há muitos doentes procurando esse tipo de tratamento).<br />
Os ateus são chamados diuturnamente de imorais e criminosos, e tal preconceito é ampliado na campanha eleitoral. Os ateus são a última minoria, a mais marginalizada e hostilizada. Sempre que um crime bárbaro é cometido, seu autor é taxado como alguém “sem deus no coração”. É imperativo que aqueles sem deus (na mente, no coração ou em qualquer outro lugar) demonstrem que são seres humanos morais, responsáveis, preocupados não com crenças de foro íntimo, e sim com o bem-estar social e os direitos humanos. Enquanto os ateus se calam e se escondem, com um discurso de não se declarar para não criar problemas com os religiosos, estes perseguem aqueles em seus púlpitos e na vida pública, condenando-os ao inferno, no qual desejam avidamente que queimem junto com homossexuais, mulheres insubmissas e tudo o mais que não se adéque ao padrão patriarcal do seu cristianismo do orgulho branco.<br />
Quando José Serra fala em “valores religiosos das pessoas de bem”, insinua que quem não tem valores religiosos não presta. O próprio termo “cidadão de bem” subverte o conceito de cidadania, gerando o ideia de uma divisão dos cidadãos em diferentes castas sociais. São os “nós”, cristãos de classe alta, urbanos, esbranquiçados, heterossexuais defensores da vida, contra os “eles”, os promíscuos, degenerados, anticristãos, ateus. Não é necessário dizer que os “nós” possuem os meios de comunicação e o poder econômico para difundir seus preconceitos como uma verdade inalienável.<br />
Caminhamos a passos largos para um estado teocrático, com líderes religiosos radicais elaborando as leis que devem reger a todos. Religiosos de outros credos, cristãos moderados, agnósticos e ateus que se calarem agora não poderão reclamar quando forem obrigados à conversão, ao ostracismo, quando estiverem no exílio da vida pública.<br />
Ou na fogueira.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/amanciosiqueira.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/amanciosiqueira.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/amanciosiqueira.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/amanciosiqueira.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/amanciosiqueira.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/amanciosiqueira.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/amanciosiqueira.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/amanciosiqueira.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/amanciosiqueira.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/amanciosiqueira.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/amanciosiqueira.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/amanciosiqueira.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/amanciosiqueira.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/amanciosiqueira.wordpress.com/30/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amanciosiqueira.wordpress.com&amp;blog=12921657&amp;post=30&amp;subd=amanciosiqueira&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Versão inicial do primeiro capítulo dA Ceia das Cinzas</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Jul 2010 18:16:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>amanciosiqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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		<description><![CDATA[Natal O ano do Senhor de mil quinhentos e trinta e um foi um ano de grandes prodígios e extraordinários acontecimentos. Um ano excepcional. Antes que o leitor mais atento e exigente contraponha-se, afirmando que todos os anos assim o são, como o demonstram as mais frugais retrospectivas, digo que em momento algum afirmei que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amanciosiqueira.wordpress.com&amp;blog=12921657&amp;post=28&amp;subd=amanciosiqueira&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Natal</p>
<p>O ano do Senhor de mil quinhentos e trinta e um foi um ano de grandes prodígios e extraordinários acontecimentos. Um ano excepcional. Antes que o leitor mais atento e exigente contraponha-se, afirmando que todos os anos assim o são, como o demonstram as mais frugais retrospectivas, digo que em momento algum afirmei que os demais anos assim não o foram. Apenas afirmo que este o foi. Afora outros importantes feitos, as enciclopédias no futuro destacarão que neste ano que principia nossa história a vinte e seis de janeiro um terremoto em Lisboa engoliu com a bocarra da terra aberta ao menos trinta mil pecadores e alguns inocentes. Em onze de fevereiro, o rei da Inglaterra, Henrique Oitavo, pagão como seu povo, por lascívia e crueldade, sentimentos que fomentam os nascimentos das grandes religiões, cismou contra a igreja de Roma e declarou-se papa da igreja inglesa. Vinte e oito de março marcou a ascensão de Pires Aires Cabral a corregedor dos Açores. Na Cidade do México, devastada pelos espanhóis, os conquistadores fundaram a cidade-fortaleza de Puebla, em dezesseis de abril. Ainda no Novo Mundo, com o objetivo de divulgar a cristã piedade, Pizarro iniciou a conquista do selvagem Peru. Em primeiro de outubro a importante cidade de Kappel foi palco da batalha batizada com seu nome. Pestes espalhavam-se como o ar pela Europa e no Novo Mundo coroou o ano a aparição da Virgem de Guadalupe, em doze de dezembro.<br />
Houve, porém, um fato de suma importância para nossa história e para a história nossa. Naquela época nascia Giambattista. No instante do seu nascimento passava uma estrela que caía no horizonte, atemorizando a noite e iluminando os temores daquela gente. Passou sobre a vila no momento em que sua mãe, dona Felipa, gritava, arfava e gemia, expulsando-o de si. Todos acharam que uma estrela caída seria um mau agouro, exceto sua mãe, que como qualquer outra acreditou ser um bom presságio: um anjo anunciando o salvador do mundo. E seu pai, dom Cristóbam, que não cria em bons ou maus presságios. Em verdade, dom Cristóbam só cria em Deus porque precisava de alguém para culpar pelos males do mundo. Se tais males vinham do diabo, culpado era o deus que o criara.<br />
Os acontecimentos, à exceção do cisma inglês, levavam a crer numa vitória definitiva do cristianismo. A única coisa que matava mais que a peste, a fome e as guerras era a fogueira. O Santo Ofício apressava o Juízo Final, julgando os pecadores e enviando-os já em fogo para o inferno. Ninguém mais de deslumbrava com os avanços científicos dos renascentistas, que não explicavam os horrores da natureza, como animais disformes e chuvas de sangue. Sim, choveu sangue naqueles dias e, embora sua consistência parecesse com a de água vermelha, tais chuvas, associadas ao anjo pavoroso que passava cortando o céu com sua espada flamejante, obrigaram os europeus a abrigarem-se nas igrejas, aguardando com suplicantes orações o tão esperado fim do mundo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/amanciosiqueira.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/amanciosiqueira.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/amanciosiqueira.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/amanciosiqueira.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/amanciosiqueira.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/amanciosiqueira.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/amanciosiqueira.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/amanciosiqueira.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/amanciosiqueira.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/amanciosiqueira.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/amanciosiqueira.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/amanciosiqueira.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/amanciosiqueira.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/amanciosiqueira.wordpress.com/28/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amanciosiqueira.wordpress.com&amp;blog=12921657&amp;post=28&amp;subd=amanciosiqueira&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O sepultamento dos anos</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Jun 2010 17:36:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>amanciosiqueira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O sacristão praguejou o cortejo que se aproximava. Correu para vestir-se. Só depois percebeu que o povo que seguia o féretro festejava atrás do cortejo. Foi informado que aquela era a festa de aniversário de um rico burguês. Juan Alghersoares percebera algo que ninguém mais havia percebido: cada festa de aniversário é a comemoração de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amanciosiqueira.wordpress.com&amp;blog=12921657&amp;post=26&amp;subd=amanciosiqueira&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O sacristão praguejou o cortejo que se aproximava. Correu para vestir-se. Só depois percebeu que o povo que seguia o féretro festejava atrás do cortejo.<br />
Foi informado que aquela era a festa de aniversário de um rico burguês.<br />
Juan Alghersoares percebera algo que ninguém mais havia percebido: cada festa de aniversário é a comemoração de uma morte. São muitas as vidas que um só homem perpassa em uma única vida, de incerta duração. As muitas mortes são mais fáceis de delimitar. Cada aniversário coroa a morte de um ano que já não existe. Funeral de um pedaço de seu tempo deixado para trás.<br />
Se pensas que a vida leva vantagem em relação à morte devido à sua maior quantidade, devo lembrar-te que no infindável suceder de vidas e mortes de uma existência humana apenas uma é definitiva. Por isso Alghersoares festeja o sepultamento do ano que se esvai: sabe que há pouco tempo para festa antes do definitivo findar dos anos.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/amanciosiqueira.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/amanciosiqueira.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/amanciosiqueira.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/amanciosiqueira.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/amanciosiqueira.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/amanciosiqueira.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/amanciosiqueira.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/amanciosiqueira.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/amanciosiqueira.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/amanciosiqueira.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/amanciosiqueira.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/amanciosiqueira.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/amanciosiqueira.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/amanciosiqueira.wordpress.com/26/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amanciosiqueira.wordpress.com&amp;blog=12921657&amp;post=26&amp;subd=amanciosiqueira&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Fé</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Apr 2010 14:36:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>amanciosiqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando o Senhor pára de acreditar nas pessoas, estas passam a crer nele. Abandonam-se em suas mãos quando as abandona. Tal lógica perpassa os escritos daqueles que se arrogaram seus escribas. Em tais papéis abundam exemplos: quando um indivíduo ou um povo acha de procurar outros deuses para venerar, buscando mais alegria e progresso, Javé [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amanciosiqueira.wordpress.com&amp;blog=12921657&amp;post=25&amp;subd=amanciosiqueira&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando o Senhor pára de acreditar nas pessoas, estas passam a crer nele. Abandonam-se em suas mãos quando as abandona. Tal lógica perpassa os escritos daqueles que se arrogaram seus escribas. Em tais papéis abundam exemplos: quando um indivíduo ou um povo acha de procurar outros deuses para venerar, buscando mais alegria e progresso, Javé não cativa sua clientela com benesses. Não há compra de votos ou acordos por debaixo dos panos: aprendam a me amar ou morram. Sofram, para aprender a me adorar. Sucedem-se dilúvios, chuvas de água e fogo, pragas, fome, guerra, raios, serpentes, terremotos. Diga-lhe que não pode afundar um navio, e ele matará dois mil cristãos para provar que pode. A morte espalha sua rede, abarcando meio mundo. E os poucos que escapam se rendem à sua palavra: Deus é amor. E haja louvar sua misericórdia. Deus só se faz sentir por meio de catástrofes. E não é apenas nas páginas amareladas dos sacros papiros que tal lógica se estabelece: quanto maior a desgraça de um povo, tanto maior será sua fé. E não sou eu que digo, mas os próprios evangelizadores, sejam os profissionais ou os amadores, sempre a repetir: “Não crês porque não passaste ainda por grande provação.” Assim se dá também nas terras devastadas por fogo e enxofre da parte do Senhor. Entremos uma vez mais em Pentápolis, desta vez nas estreitas ruas de barro de Gomorra. Aqui as igrejas ocupam todas as esquinas, lembrando a população da ira do Senhor. Há mesmo aquelas que dão um dízimo de desconto ao fiel que paga o dízimo em dias.<br />
Sobre as cinzas da grande hecatombe encontraremos uma casa de madeira, com um cômodo que serve como quarto e sala e um banheiro. Não é a única, mas no momento é a que nos chama a atenção. Nela habita Rute. Trata-se de uma mulata querida por todos. É baixinha e gordinha, porém muito bem feita de corpo, com busto, cintura e quadris generosamente bem proporcionados. Caminhar recatadamente sensual. Chamativa. Langor apenas pressentido, pois em seus quase cinquenta anos de ilibada reputação jamais um homem tocou-lhe abaixo da cintura. Nem mulher, se assim pensaste. Antevisto furor duramente reprimido pela sua moral, que lhe reputa exemplo de honestidade e inalterável estado de celibato. Tal celibato podemos atribuir à vontade de Rute, mas também à chuva de fogo que devastou Gomorra na sua adolescência, sem a qual sua vontade provavelmente seria outra. A linda mulata ainda saindo da infância brincava com seu primo, brincadeiras de descoberta. Descobriam um universo de prazeres subentendido, mas desconhecido. Carícias solícitas, beijos ardorosamente inocentes. Mãos que deslizam pelas costas, cócegas que riem nos lábios e ardem entre as pernas. Abraços infantis antecipando a seriedade das coisas adultas. Cinco sentidos eram poucos para tanto sentir. Marcos descobria-lhe as carnes ainda não surgidas, as curvas já salientes. A menina sentia sua musculatura frugal, de futuro trabalhador braçal, cobrindo parcamente o rijo esqueleto. Massa compacta recoberta por morena pele. Eram só brincadeira e carinho naquela madrugada, quando seus inaudíveis suspiros foram solapados por gritos. Houve choro e ranger de dentes. Ferro e fogo se espalhavam pela rua, separando o joio do trigo. O problema é que a justiça, quando chega nestas paragens, não encontra trigo. A chacina foi tal que o sangue entrava por baixo da porta, iluminado pelas chamas dos barracos vizinhos. Pavor rubro cerrou os olhos de Rute, imovelmente trêmula. Um rito de passagem passou pelo rosto de Marcos, que não se acovardaria diante de sua prima. Como homem que queria provar ser, saiu, deixando-a só em seu medo, em sua angustiosa espera, para desafiar a noite, a chama, a morte. A ira de Deus, como aprenderia depois.<br />
No alvorecer, quando o grande alarido cessou e o sangue coagulou nas frestas; quando as cinzas substituíram o longo crepitar da madeira incandescente; quando o indizível se realizou, Rute saiu do pequeno barraco e soube, em meio à devastação, que Marcos pagara o preço da masculinidade. Como costuma acontecer nas pequenas tragédias cotidianas destas paragens, na grande catástrofe também os homens jovens foram as mais numerosas vítimas, transformados em estátuas de sal, pressionando o sangue nas veias das mães, irmãs, avós, amantes. E de uma prima. Enquanto o pranto se elevava aos céus, profetas e pregadores trataram de buscar culpados. Roupas pomposas e palavras incompreensíveis, empoleiravam-se nos escombros a lembrar a misericórdia que o Senhor tivera para com os sobreviventes. Sempre transparece a misericórdia quando a crueldade se espalha. O pecado dos que pranteavam causara sua desgraça; que se arrependessem. Rute sentiu em seus ombros o peso da morte de Marcos. Carregaria a cada segundo de seu tempo o peso de uma estátua de sal comprimindo-lhe o peito.<br />
Rute mora só, apesar da grande família: sete irmãs, incontáveis sobrinhos, a mãe ainda insistindo em manter-se respirando. Quando se converteu à Igreja de Todos e de Ninguém do Deus Senhor do Fogo da Morte, passou a não mais tolerar a convivência com pessoas que insistiam em viver em pecado, sem temor da ira divina. Começou a lavar roupas, recebendo trinta dinheiros semanais pelo serviço, dos quais um terço é dedicado à igreja, para a conversão dos gentios que foram seus vizinhos e parentes. Sob roupas largas e escuras escondeu o corpo belo em desenvolvimento, cujo pecado fora a perdição de Gomorra. Prendeu os cabelos, os desejos, a vida. Prendeu-se à castidade. Sobrou aos homens a imaginação, a adivinhar o furor que o recato reservara apenas ao Senhor.<br />
Mas isso foi há trinta anos. Mesmo os olhares dos homens de Gomorra se cristalizaram, pois uma parte importante da virtude é ser rondada pelo pecado. Se alguns ainda se acercam de Rute, é para maior glória de sua castidade, pois castidade sem tentação não é virtude, mas desprezo. Há algo atualmente que chama mais atenção na mulata que seu recato: o horror que tem a tudo que é novo, tecnológico, prático, moderno. Exemplo de candura, é capaz de grande violência quando o assunto é a humana ciência. Não tolera máquinas de quaisquer espécies. Se o Senhor pôde destruir, apenas a Ele é possível curar, diz para todos. E, quanto mais sua vida se destrói, tanto mais busca uma cura. Acredita firmemente que apenas mortificando os joelhos poderá curar sua alma pecadora.<br />
Foram trinta anos entre os afazeres domésticos, os trabalhos para fora e os longos cultos diários, que demandam sua noite. Neste tempo jamais fraquejou em seguir os preceitos de sua fé. Sequer recorre a dentistas, e seus dentes extremamente alvos já não são tão numerosos quanto da última vez em que sorriu. Quanto mais lhe sobrevêm dores, mais se considera culpada e merecedora do castigo. Se a moderna medicina é inimiga da piedade, curandeiros tradicionais são crias do próprio Shaitan. Nos últimos meses têm sido frequentes as dores no seu abdômen e as mortificações. A dura palavra do Senhor é seu anestésico. Quando lhe afligem tonturas e suas entranhas se esvaem em vômito, crê ser o pecado a escoar, purificando-lhe. Assim tem sido até esta tarde em que lava roupas diligentemente no chafariz, único resquício de uma praça na qual crianças brincavam antes do medo materializar-se e destruir toda inocência. As crianças que caminham por aqui agora são adultos precoces. Ao lado da bola carregam ferros, temendo o retorno dos anjos do Senhor. E são elas as primeiras a avistar o pânico que estremece o corpo de Rute. Entre uma e outra batida, durante uma esfregada, sente dores lancinantes que curvam seu corpo contra sua vontade. Vira o rosto para o lado direito, para que o vômito não suje a roupa lavada, e perde a consciência. Cai com a testa sobre a grande torneira. Os mais ela apenas intui, vislumbres e iluminações entre a náusea e o sono.<br />
Crianças correndo – escuro – gritos e perguntas, o que está sentindo? Dói? Calma que o socorro já vem – trevas – pessoas passeiam a seu redor, como pássaros, sons distantes e indistintos, vozes como o arrulhar de pombos, mãos que a erguem, o peso de si mesma sobre o frio metal de um veículo, o vômito na garganta – tonteira e escuridão – o veículo balança, girando sua cabeça para um lado e outro, enquanto desce as ladeiras íngremes e esburacas no caminho para Zoar – a luz do sol pela janela do carro fere seus olhos, o sono fecha-lhe as pálpebras – o sangue coagulado na testa, mãos firmes a erguem, uma maca, rodinhas deslizam por corredores brancos, jalecos brancos, máscaras brancas, luvas brancas; anjos a entorpecem com seu toque, já não sente dor – uma grande luz vem de cima, sua pureza ferindo seu ser, e então nada.<br />
Retorna do mundo de torpor aos poucos. Leva a mão à testa e sente o curativo. Relembra a torneira, a dor. Algo puxa sua mão, um fio ligado a um tripé. Sara, sua irmã, percebe sua confusão ao despertar e a acalma: tudo ficará bem. Por sorte pôde ser salva. O médico passa pelo corredor e entra, sorridente. Esta paciente é-lhe muito cara, pois, se já perdeu muitos pacientes que acreditavam em sua cura, agora pôde salvar uma que não acredita. Senta ao lado do leito duro do hospital e fala carinhosamente: Você teve sorte. Sua insistência em não procurar ajuda poderia custar-lhe a vida. Era apenas uma apendicite, mas a demora na operação causou-lhe uma grave infecção abdominal. Sua sorte foi desmaiar na rua, ou já teria sido encontrada estática. O procedimento foi simples e em dois dias poderá retornar para casa. Espero que volte aqui para&#8230; – Rute o interrompe abruptamente: Minha sorte foi minha fé no Senhor. Ele me curou, tirou meus pecados. Eu vi a luz dele sobre mim. Você não sabe de nada. Arranca a agulha do soro e levanta, cerrando os escassos dentes. Sai indignada com o médico e com sua irmã, que permitiu que a imundície da ciência lhe tocasse.<br />
Sobe o morro, deixando o asfalto pelo barro, pés afundando, cabeça latejando, coração rufando forte. Os esparadrapos se soltam no suor que lhe banha a fronte. Segue diretamente para sua igreja, à procura do clérigo, que se surpreende ao vê-la: Irmã Rute, o Senhor seja louvado. Não imaginei poder vê-la tão cedo. Me disseram ser grave seu estado. – Grave sim, pois o pecado me consumia por dentro. Mas o Senhor, em sua misericórdia, me curou. A partir de hoje só vou comer uma vez por dia, e todo meu dinheiro será da Igreja de Todos e de Ninguém do Deus Senhor do Fogo da Morte. Amém.<br />
O que ninguém percebeu, nem o médico, nem suas irmãs, nem mesmo Rute, o que apenas os clérigos são capazes de perceber e aproveitar, é que ela perdeu sua vida e sua razão há trinta anos, numa triste madrugada em que a chacina do Senhor transformou seu primo em estátua de sal.<br />
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<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/amanciosiqueira.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/amanciosiqueira.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/amanciosiqueira.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/amanciosiqueira.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/amanciosiqueira.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/amanciosiqueira.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/amanciosiqueira.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/amanciosiqueira.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/amanciosiqueira.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/amanciosiqueira.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/amanciosiqueira.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/amanciosiqueira.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/amanciosiqueira.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/amanciosiqueira.wordpress.com/25/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amanciosiqueira.wordpress.com&amp;blog=12921657&amp;post=25&amp;subd=amanciosiqueira&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Eremita</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Apr 2010 02:55:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>amanciosiqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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		<description><![CDATA[Ilustração: O Ermitão da Montanha, por Doré Há tantos anos nascia um nobre bebê, condicionado ao luxo e à ostentação. Tornar-se Papa, seu destino. Cresceu em grandes palácios e alumiado de ricos candelabros, até que de tudo se cansou. Ou teria se esquecido de todas as juras de fidelidade que fizera aos seus pais e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amanciosiqueira.wordpress.com&amp;blog=12921657&amp;post=21&amp;subd=amanciosiqueira&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://amanciosiqueira.files.wordpress.com/2010/04/o-ermitao-da-montanha-dore1.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-20" title="o ermitao da montanha dore" src="http://amanciosiqueira.files.wordpress.com/2010/04/o-ermitao-da-montanha-dore1.jpg?w=243&#038;h=300" alt="" width="243" height="300" /></a></p>
<p><strong>Ilustração: O Ermitão da Montanha, por Doré</strong></p>
<p><strong>Há tantos anos nascia um nobre bebê, condicionado ao luxo e à ostentação. Tornar-se Papa, seu destino. Cresceu em grandes palácios e alumiado de ricos candelabros, até que de tudo se cansou. Ou teria se esquecido de todas as juras de fidelidade que fizera aos seus pais e à riqueza? E falou o que gritava seu coração: “Como posso ser sacerdote, se jamais encontrei Deus?” O príncipe passou a viver enclausurado em seu quarto, sonhando paraísos.<br />
Todos os pensamentos voltados para ele em uníssono clamavam: “Enlouqueceu o nobre príncipe”, “Deve estar endemoninhado”, “Seu espírito foi dominado por uma das feiticeiras que habitam os postigos imundos ao redor do palácio”. Outros pensamentos mais jocosos alegravam os aduladores mais invejosos: “O tolo sempre mostra sua verdadeira natureza&#8230;”, “Deram-lhe asas, agora quer voar para as coisas do Céu&#8230;”. E, quando todos se reuniam, ecoavam as mesmas palavras, numa harmônica repetição: “Ah, é uma pena; o nosso príncipe seria um grande Bispo&#8230;”, ao que se seguiam exclamações e longos suspiros melancólicos.<br />
Porém, o nobre saiu do claustro apenas para dar uma decepção ainda maior ao Reino e à família real: abandonaria o palácio, a riqueza, a honra, a família e o império. E tudo em busca de algo que nem mesmo sabia se existia! Como cometeram a heresia de querer que aquele louco fosse Papa?<br />
O príncipe partiu, coberto apenas pela roupa do corpo e as maldições do povo.<br />
O filho ingrato passou a peregrinar pelo mundo, aprendendo coisas com as quais jamais sonhara. Aprendeu a nadar numa bela manhã em que se refugiara de alguns ladrões num lago, no qual quase se afogou. Colhia frutos à beira dos rios, aprendeu a fazer fogo e infusões com o povo das colinas; nadava com os peixes e partilhava suas aventuras com os homens. Substituiu os farrapos reais por peles de carneiro e comia carne de porco com cerveja. Escalou montanhas até a exaustão, respirando o ar rarefeito e puro, para ficar mais próximo dos céus. No cume, as geleiras derreteram, algumas plantas surgiram: tudo era belo. Nas montanhas, encontrou toda espécie de plantas venenosas e animais peçonhentos. Lá havia menos peçonha que no mundo dos homens. Percebeu que a serpente não tenta a ninguém: só os humanos podem expulsar-nos do paraíso.<br />
“Meu Deus da Terra, o Paraíso é aqui!”, pensava consigo mesmo e, às vezes, compartilhava tal pensamento com as serpentes e as águias ou outros animais que se aproximavam. Até mesmo às plantas falava, até perceber que apenas os humanos se importavam com o que dizia. Parou de falar e apenas pensava: “Meu Deus, o paraíso é aqui.”<br />
Até que as palavras foram perdendo seu sentido ante a verdade pura, e pouco a pouco ele foi deixando de falar até mesmo a Deus, pois este também não respondia. As palavras foram minguando em sua mente:<br />
“Meu Deus, o paraíso!”<br />
Deus, o paraíso!<br />
Deus!<br />
&#8230;!<br />
Meu!”<br />
E aquele passou a ser seu reino. Passou a comer apenas figos e mel silvestres e a nadar sob o sol da manhã. Em seu íntimo, aquela era a única forma de alcançar a salvação.<br />
Alternavam-se as estações, mudavam as paisagens, os espaços modificavam-se, mas o tempo parecia o mesmo, estático e inabalável. Doravante, o príncipe sem reino não tinha pressa no nado, não recordava os nomes das espécies animais que o circundavam, não lembrava dos rostos, nomes, dos bens ou males dos humanos que conhecera. Esqueceu o significado da palavra salvação. Ainda mais só em sua velhice, guardava uma vaga lembrança dos motivos que o haviam levado àquele lugar e da felicidade que sentira em outros tempos.<br />
Esquecera-se definitivamente das línguas dos homens, dos seus símbolos, códigos e normas, ouvindo com prazer a música da floresta e os sussurros da noite antes silenciosa. Até que lhe chegou uma serpente, animal formoso e inteligente, e sussurrou-lhe, em linguagem bifurcada, um sibilo silente e carregado de melancolia, sem que pudesse o velho eremita perceber que o escutava e compreendia: “Faz tempo que não falamos com Deus.”<br />
Buscou meios de responder à serpente, até que dominou novamente sua língua e sua garganta, rouca e ressequida e, após articular sons sem sentido, por fim sibilou:<br />
“Onde está?”<br />
E a natureza calou à sua volta. E calaram-se as próprias batidas do seu coração. E o homem morreu sem jamais ter compreendido a ausência de deus.</strong></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/amanciosiqueira.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/amanciosiqueira.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/amanciosiqueira.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/amanciosiqueira.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/amanciosiqueira.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/amanciosiqueira.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/amanciosiqueira.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/amanciosiqueira.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/amanciosiqueira.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/amanciosiqueira.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/amanciosiqueira.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/amanciosiqueira.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/amanciosiqueira.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/amanciosiqueira.wordpress.com/21/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amanciosiqueira.wordpress.com&amp;blog=12921657&amp;post=21&amp;subd=amanciosiqueira&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Orelha do Evangelho de São Pecador</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Apr 2010 21:05:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>amanciosiqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[histórico]]></category>
		<category><![CDATA[romance]]></category>

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		<description><![CDATA[“Muito aprenderás para descobrires que de nada sabes.” As palavras de Shiva marcarão as viagens de Tiago de Ariman em sua busca pelo amor, por Deus e por si mesmo. Transitando da aridez ao oásis do espírito, conhecerá a vastidão nem sempre bela do coração dos homens, numa jornada de auto-conhecimento para além do santo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amanciosiqueira.wordpress.com&amp;blog=12921657&amp;post=10&amp;subd=amanciosiqueira&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“Muito aprenderás para descobrires que de nada sabes.”</p>
<p>As palavras de Shiva marcarão as viagens de Tiago de Ariman em sua busca pelo amor, por Deus e por si mesmo. Transitando da aridez ao oásis do espírito, conhecerá a vastidão nem sempre bela do coração dos homens, numa jornada de auto-conhecimento para além do santo e do profano no ser humano, até o âmago do próprio homem. Uma peregrinação por terras distantes dará a medida do pó que nos faz vivos, a composição da vida que nos faz humanos, demasiado humanos.</p>
<p>Amor e ódio, vida e morte, fé e desesperança se encontram na sua história, não primariamente dualista, não religiosamente maniqueísta, não tese e antítese, mas síntese de um espírito que extrai do tormento o sentido para tornar-se superior. Uma jornada da queda à sublimidade. O descobrimento do Reino que está dentro de nós. Aprendemos nessa caminhada que a vida é luta, que a guerra é a melhor professora da paz. Que está em nossas mãos operar o milagre. O milagre nos envolve até nos sufocar.</p>
<p>Vagando entre povos, línguas e filosofias, descobriremos com Tiago que o grande tema e o grande propósito da vida não são o pecado ou a santidade, o bem ou o mal, mas o homem em sua pureza, misto de prazer e dor.</p>
<p>Conhecerá Tertianus, o último homem sobre a terra a ter conhecido Jesus, e escreverá o seu evangelho, uma versão diferente para a vida do inspirador de tantos homens.</p>
<p>Aprenderemos com as filosofias e as religiões que o amor é a grande sabedoria, que o homem é a grande fé.</p>
<p>Contudo, pode um único homem ser todo um povo, toda a humanidade? Descubra (descubra-se) no seu evangelho. Uma história de conhecimento e vontade. Um romance de força e beleza. Um poema de redenção.<a href="http://amanciosiqueira.files.wordpress.com/2010/04/capaevangelho1.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-11" title="capaevangelho" src="http://amanciosiqueira.files.wordpress.com/2010/04/capaevangelho1.jpg?w=199&#038;h=300" alt="" width="199" height="300" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/amanciosiqueira.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/amanciosiqueira.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/amanciosiqueira.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/amanciosiqueira.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/amanciosiqueira.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/amanciosiqueira.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/amanciosiqueira.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/amanciosiqueira.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/amanciosiqueira.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/amanciosiqueira.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/amanciosiqueira.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/amanciosiqueira.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/amanciosiqueira.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/amanciosiqueira.wordpress.com/10/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amanciosiqueira.wordpress.com&amp;blog=12921657&amp;post=10&amp;subd=amanciosiqueira&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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