De Insônia e Sonambulismo

“Decía Donne que nadie duerme en la carreta que lo conduce de la cárcel al patíbulo, e que sin embargo todos dormimos desde la matriz hasta la sepultura, o no estamos enteramente despiertos.

Una de las misiones de la gran literatura: despertar al hombre que viaja hacia el patíbulo.”

Ernesto Sabato, El Escritor y sus Fantasmas

Uma das missões da literatura de entretenimento: manter o homem que vai ao patíbulo sonâmbulo, em sono profundo mesmo enquanto caminha com sua cruz às costas. Obviamente, há muitos, acredito mesmo que a maioria, que preferem esquecer que estão condenados, que a morte os cerca. A maioria prefere a mentira analgésica de cada dia. Não sentir a cruz sobre os ombros.

Entorpecem os sentidos expondo-os ao excesso. Som demais ensurdece. Luz em demasia cega. Cercam-se de sons estridentes e luzes entontecedoras. Tanta luz para iludir as trevas encravadas no peito. Tanto barulho para encobrir o silêncio da morte.

Todavia, há os que querem saber, os que cultivam a insônia, que sentem palpitações e acordam de sonos intranquilos metamorfoseados em criaturas repulsivas para a massa dos sonâmbulos. É essa insônia que gera e nutre a arte, que faz criar algo perene a despeito de nossa finitude.

Não à toa os estrondosos sucessos exaltados pelos sonâmbulos são logo esquecidos: são feitos para os que querem esquecer até de si mesmos.

São os insones que mantêm a lembrança daqueles que não quiseram dormir.

Bloomsday

Dezesseis de junho é o data retratada no romance Ulisses, de James Joyce. É este o dia extraído na vida de Leopold Bloom. Em várias partes do mundo ocorre o Bloomsday, o Dia de Bloom, comemorações que recriam a odisseia do personagem. Como não li ainda o Ulisses, lanço aqui o desafio para outros colegas que também não o leram: vamos ler o Ulisses e promover o Dia de Bloom em Garanhuns no próximo ano?

Navegando no Aquário

Tinha desistido há um tempo de ler poesia contemporânea, cansado das tentativas dos “poetas” de emaranhar palavras numa teia com o propósito de não dizer nada. Sem entusiasmo, então, peguei “O Aquário Desenterrado”, de Samarone Lima, e fui surpreendido muito positivamente. Trata-se de um livro maduro, como todo livro que trata de forma sublime sobre a infância. Não há hermetismos, uma busca por metáforas que não metamorfoseiam nada. A poesia aqui encontra sua principal função: dizer muito com pouco, economizar palavras e prodigalizar sentidos.

O poema “O Elefante Azul” em particular causou-me forte impressão. Nunca tinha visto texto que traduzisse de maneira tão profunda as diferenças e semelhanças entre a mentira e a imaginação. Ou como a mentira inocente deve acompanhar o ser humano em sua busca pelo sentido de sua vida.

Que o elefante azul nunca caia do galho de nossa infância.

Projeto 2014 – Atualizado

A Ceia das Cinzas

Terminar de ler Os Maias – Eça de Queiroz, O Capital – Marx, Solar – Ian McEwan, I am Legend – Richard Matheson, O Ser o o Nada – Sartre, Criação Imperfeita – Marcelo Gleiser, Muito além do nosso Eu – Miguel Nicolelis, Maria Perigosa – Luis Jardim, Porque ler os clássicos – Ítalo Calvino e uns dez ou quinze específicos sobre a idade média; reler O livre arbítrio – Schopenhauer, Dom Quijote – Cervantes, Memórias Póstumas de Braz Cubas – Machado de Assis e outros nove que ainda não escolhi (mas com certeza haverá Nikos Kazantzákis). Terminar de escrever Quebra-Cabeças e escrever alguns capítulos de A Ceia das Cinzas.

Os outros livros que entraram no Quebra Cabeças foram: Elogio da Loucura, Erasmo de Roterdã; Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa; A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera; No Hospício, Rocha Pombo; Assim Falou Zaratustra, Nietzsche; As Intermitências da…

Ver o post original 29 mais palavras

Duas quadras

Ontem, na II Mostra Comunicações Literárias, no Sesc Garanhuns, que aliás vai até amanhã, houve uma mesa de glosa. Não sou glosador, longe disso, mas um mote me chamou atenção e resolvi fazer duas quadrinhas sem vergonhas: Quando a copa começar, vai ser grande a bagaceira. Como vou casar amanhã, menos de uma semana antes da copa, pensei em como será minha copa:

Em meu quarto te trancar

e despertar o teu desejo,

tua roupa inteira tirar

e despir-te de todo pejo;

Em Garanhuns te amar

ou em Afogados da Ingazeira…

Quando a copa começar,

vai ser grande a bagaceira…