De Insônia e Sonambulismo

“Decía Donne que nadie duerme en la carreta que lo conduce de la cárcel al patíbulo, e que sin embargo todos dormimos desde la matriz hasta la sepultura, o no estamos enteramente despiertos.

Una de las misiones de la gran literatura: despertar al hombre que viaja hacia el patíbulo.”

Ernesto Sabato, El Escritor y sus Fantasmas

Uma das missões da literatura de entretenimento: manter o homem que vai ao patíbulo sonâmbulo, em sono profundo mesmo enquanto caminha com sua cruz às costas. Obviamente, há muitos, acredito mesmo que a maioria, que preferem esquecer que estão condenados, que a morte os cerca. A maioria prefere a mentira analgésica de cada dia. Não sentir a cruz sobre os ombros.

Entorpecem os sentidos expondo-os ao excesso. Som demais ensurdece. Luz em demasia cega. Cercam-se de sons estridentes e luzes entontecedoras. Tanta luz para iludir as trevas encravadas no peito. Tanto barulho para encobrir o silêncio da morte.

Todavia, há os que querem saber, os que cultivam a insônia, que sentem palpitações e acordam de sonos intranquilos metamorfoseados em criaturas repulsivas para a massa dos sonâmbulos. É essa insônia que gera e nutre a arte, que faz criar algo perene a despeito de nossa finitude.

Não à toa os estrondosos sucessos exaltados pelos sonâmbulos são logo esquecidos: são feitos para os que querem esquecer até de si mesmos.

São os insones que mantêm a lembrança daqueles que não quiseram dormir.

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