Novas maneiras de avaliar a leitura

Com o advento do formato digital, a venda de exemplares pura e simples tende a deixar de ser o principal objetivo do mercado editorial. Abaixo um artigo de Matthew Yglesias que traduzi livremente, que mostra como o negócio de aluguel de livros tende a tornar ser lido mais importante que ser vendido:
The biggest difference between Web journalism and print journalism is that on the Web both publishers and advertisers have some idea about what readers are actually doing, and this naturally ends up informing both the commercial and editorial sides of what we do. Thanks to e-readers, similar analytic power is coming to the world of books:
Scribd is just beginning to analyze the data from its subscribers. Some general insights: The longer a mystery novel is, the more likely readers are to jump to the end to see who done it. People are more likely to finish biographies than business titles, but a chapter of a yoga book is all they need. They speed through romances faster than religious titles, and erotica fastest of all.
At Oyster, a top book is “What Women Want,” promoted as a work that “brings you inside a woman’s head so you can learn how to blow her mind.” Everyone who starts it finishes it. On the other hand, Arthur M. Schlesinger Jr.’s “The Cycles of American History” blows no minds: fewer than 1 percent of the readers who start it get to the end.
Oyster data shows that readers are 25 percent more likely to finish books that are broken up into shorter chapters. That is an inevitable consequence of people reading in short sessions during the day on an iPhone.
One difference between books and periodicals is that since the book publishing industry has never been based on advertising, getting people to actually read books has never been a particularly important part of the book industry. The point is to sell books. A beloved book might be passed around between friends and family, checked out of libraries, re-read every two or three years, or whatever. Alternatively, some new founding fathers biography might be bought as a gift for thousands and thousands of people who leave it on the coffee table for a few months without ever really reading it. It’s the latter scenario where the publisher actually makes money.
At any rate, articles on the use of analytics in media production are supposed to feature some hand-wringing about the nature of the creative process. But I think only uncreative people use data to stymie creativity. And certainly that’s an option. The more you know about your audience, the more precisely you can implement a strategy of “precisely copy what’s working elsewhere.” But a person who wants to innovate can also take advantage of data to do so. After all, suppose you want to try some new things. Wouldn’t you like to know which of those things works so you can iterate?
Matthew Yglesias is Slate’s business and economics correspondent. He is the author of The Rent Is Too Damn High.
Tradução Livre:
A maior diferença entre jornalismo digital e impresso é que no digital tanto editores quanto anunciantes têm alguma ideia sobre o que os leitores realmente estão fazendo, e isso naturalmente acaba informando-os os caminhos que devem trilhar os departamentos editoriais e comerciais. Graças aos leitores digitais, uma possibilidade de análise similar está chegando ao mundo dos livros:
O Scribd está só começando a analisar os dados dos seus assinantes. Alguns vislumbres iniciais: Quanto mais longo um romance de mistério, maior a chance de leitores pularem para o fim para saber o resultado da investigação (quem é o criminoso). Pessoas terminam com mais frequência biografias que livros de negócios, mas um capítulo de um livro de yoga é tudo de que precisam. Eles passam mais rápido (diria que a melhor tradução seria leem, mas não posso afirmar com certeza, tendo em vista a não disponibilização dos dados completos) por histórias de amor que por títulos religiosos, e eróticos mais rápido do que todos.
Para a Oyster, um grande livro (no sentido da pesquisa) é “What Women Want” (O que as mulheres querem), propagandeado como uma obra que “leva você pra dentro da cabeça de uma mulher até que você aprenda a moldar (controlar – conquistar) sua mente”. Todo mundo que começa a lê-lo termina. Por outro lado, “Os Ciclos da História Americana”, de Arthur M. Schlesinger Jr., não molda (controla – conquista) mentes: menos de um por cento dos leitores que o iniciam chegam ao final.
Os dados da Oyster mostram que 25 por cento mais leitores terminam livros divididos em capítulos curtos. Uma inevitável consequência de as pessoas dividirem as leituras em pequenos intervalos para leitura no iPhone ao longo do dia. (Dessa análise eu discordo – leitores do livro de papel também tendem a ler um capítulo por vez, e capítulos longos acabam afastando-os da leitura).
Uma diferença entre livros e periódicos é que propaganda nunca foi a base da indústria livreira: levar pessoas a realmente ler os livros nunca foi seu foco. O foco sempre foi vender os livros. Um livro amado pode passar do dono para familiares e amigos, encontrado fora das livrarias, relido a cada dois ou três anos et Cetera. Alternativamente, uma nova biografia de um dos Pais Fundadores pode ser adquirida como presente por milhares e milhares de pessoas, para ser posta numa mesa de café por alguns meses sem jamais ser de fato lida. E é com este último cenário que os editores de livros ganham dinheiro. (Isso é particularmente verdadeiro com livros religiosos).
De qualquer forma, o uso de artigos com análises de produção de mídia deveria ser importante no trabalho sobre a natureza no processo criativo. Só acho contraproducente que pessoas usem esses dados para frear a criatividade. E isso certamente é uma opção. Quanto mais você conhece sobre seu público, mais precisamente você pode implementar uma estratégia de “copiar precisamente o que funciona”. Mas uma pessoa que quer inovar também pode tirar vantagem desses dados para fazer isso. Concluindo, suponhamos que você queira tentar algo novo: você não gostaria de saber qual dessas coisas funciona, para que possa (re) utilizá-la?

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