Glosadores

“Há mais trabalho em interpretar as interpretações do que em interpretar as coisas, e mais livros sobre os livros do que sobre outro assunto: não fazemos mais que glosarmos uns aos outros”

Montaigne, um dos principais personagens de A Ceia das Cinzas, acertaria em cheio se se referisse a minha obra em particular, assim como acerta ao falar do comportamento de literatos em geral. Meu novo romance, Quebra Cabeças, no fundo não passa disso: um livro sobre livros. A Ceia das Cinzas, por outro lado, além de um livro sobre livros, será um livro sobre aqueles que os escrevem, na verdade, sobre aqueles que os escreveram. Em suas páginas estarão Ariosto, Paracelso, Giordano Bruno, o próprio Montaigne, Camões e Cervantes.

De certa forma, será um caminho inverso, buscando compreender um tempo que teve tantos gênios contemporâneos. Compreender um tempo em que homens de letras eram criaturas vivas e pulsantes, que poderiam perder um braço ou um olho numa batalha, ou a vida numa fogueira. Em que os escritores, de tão vivos, não conseguiam se contentar em escrever sobre suas próprias vidas.

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