Peças de Quebra Cabeças 3

Terceiro dia da série, com a resenha do poeta e professor Adelmo Camilo:

QUEBRA CABEÇAS de Amâncio Siqueira
SIQUEIRA, Amâncio. Quebra Cabeças. Giostri Editora Ltda. 1. Ed. São Paulo. 2015. 87 p.

“Por ser de lá do sertão (…) Na certa, por isso mesmo”. Por ser Amâncio Siqueira, pernambucano sertanejo do Vale do Pajeú, especificamente da cidade de Afogados da Ingazeira. Lá nascido em 1982, atualmente reside em Garanhuns-PE. Por ele morar em Garanhuns, diríamos: – Graças a Deus! Mas sua escrita nos alerta que “São necessários muitos acasos para compor uma coincidência e muitas coincidências para criar um destino.” E cá ele está em meio a outros escritores. Estreou na cena literária em 2010 com o romance histórico “O Evangelho de São Pecador”.
Mas não vamos aqui ‘quebrar a cabeça’ com o pecado de ninguém. “Pecado mesmo é começar um livro e não terminar”. Preferimos falar das indulgências recebidas ao ler cada ‘oração’ de Quebra Cabeças. É uma novela. A narrativa conta a história de Anselmo que ao retornar de um coma – causado por um acidente de trânsito – depara-se no ano 2053. Passa-se trinta e oito anos. Anselmo não é muito simpático. “Instintivamente, desconfia de pessoas muito educadas e bem vestidas,” Mas é capaz de sorri. É humano. Também ‘verte suas lágrimas’. O núcleo da narrativa é a perda da memória do protagonista. “Talvez seu problema de memória não seja consequência do acidente”. Passados quase 40 anos os táxis estão modernizados, ainda existe celular, algumas redes sociais já foram extintas – caso do face book – e, os clássicos continuam sendo clássicos mesmo que tenham surgido na cena literária: ‘Tenório, Herik, Rodrigues, Siqueira’ etc. São alguns dos maiores clássicos da história que subsidiam Anselmo a livrar-se do cativeiro do esquecimento. Amâncio consegue uma façanha em 18 curtos capítulos que no total fecham em 87 páginas.
O que dizer mais da obra Quebra Cabeças? “Cada livro é um objeto que vai além das palavras nele impressas.” E muito mais além das impressões de leitura de um mortal (como eu). Li com uma dupla postura. Ora mergulhado na história do Anselmo. Ora analisando a construção do texto do Amâncio. Acabei, dessa forma, me perdendo. Pois, cheguei ao fim da história sem saber se era o Anselmo que nos ensinava (e testemunhava) o poder da leitura no que diz respeito a ressuscitação dos vivos. Ou se o Amâncio que demonstra (va) o que ele ‘pode fazer com as palavras e conosco’. Pois, me ajudou a não pecar durante 38 anos. Abri seu livro no ano de dois mil e quinze e só o fechei em 2053 para atravessar a Avenida Rui Barbosa com medo de ser atropelado.
Se eu indico o livro Quebra Cabeças de Amâncio Siqueira? Se eu pudesse, obrigaria muita gente a ler e “sem pecar”. Mas não é assim que se presta serviço à arte literária. É recomendando a leitura sim de obras como Quebra Cabeças. Para pretensos escritores e também para alguns ‘PhDeus’ da literatura que já estão prestes a perder a memória e ainda não aprenderam a escrever. Voltem para a biblioteca e comecem a ler Amâncio Siqueira.

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