No Furacão da Infância

Um sábio disse uma vez que os adultos que leem livros infantis foram crianças que liam livros adultos. O nascimento do meu filho foi a desculpa perfeita para atualizar a leitura desse gênero. O Mágico de Oz, clássico de L. Frank Baum, é um desses livros que encantam adultos. Impossível não traçar uma comparação com o filme de 1939, que traz algo que gosto muito e não está no livro, e que parece ter sido inspirado em Alice in Wonderland: a ambiguidade que gera uma dúvida sobre a realidade em que a narrativa ocorre, se no mundo concreto ou no universo onírico.
Como toda grande obra, sugere várias interpretações, e há quem diga inclusive que a estrada de tijolos amarelos é uma alegoria para a necessidade de adotar o padrão ouro na economia (o padrão monetário era ouro e prata na época).
Concordo com quem acha que a obra literária não precisa trazer uma mensagem; entretanto, quando o escritor consegue aliar uma história interessante com uma mensagem singela, nasce uma grande obra.
Percebemos que Oz é um grande trapaceiro porque dá às pessoas a ilusão daquilo que elas esperam, ao mesmo tempo em que notamos que reconhecer as próprias limitações é um passo imprescindível para superá-las. Perceber-se ignorante e querer ter um cérebro (ser sábio) é começar a sê-lo; buscar um coração é demonstrar que se tem um; assumir o medo é um ato de coragem.
Um lar, contudo, é mais difícil de se perceber como algo interno a nós. E este é um aprendizado que leva muitas infâncias para ser adquirido.

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