Apelos

Nos seus poemas de guerra, Siegfried Sassoon (1886-1967) traz numa perfeita linguagem poética todo o sentimento que o campo de batalha lhe causou durante a Primeira Guerra Mundial, na qual lutou pelos aliados, sendo condecorado por bravura. O poeta não se vê, contudo, como um grande soldado, não tem rompantes de bravura em seus versos, ou certezas que só o militarismo consegue dar.
Ao lado do cinismo em relação aos sentimentos patrióticos, da ironia com aqueles que pensam na bravura dos combatentes ao pé da lareira ou nos desfiles, ele demonstra que a trincheira é um espaço de morte, mutilação e desespero, que unem os irmãos em armas não por um sentimento elevado de honra e patriotismo, mas pela piedade e pela busca de sobrevivência.
Um relato cru de atos sem sentido, o livro é também um apelo pela paz e união dos povos, que tem no seu poema “Reconciliação” um dos mais belos testemunhos:
“Homens lutaram como brutos; abomináveis coisas foram feitas;
E você nutriu um ódio duro e cego.
Mas talvez encontre naquele Gólgota
As mães dos homens que mataram seu filho.”

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