Testamento Traído

Emkafka Os Testamentos Traídos, Milan Kundera dá ênfase à traição de Max Brod, que ignorou o testamento de seu amigo, Kafka, ao se negar a queimar seus escritos, como seria seu desejo. Há o questionamento se de fato Kafka tinha esse desejo, mas essas questões estão bem delineadas lá e não é meu propósito questionar isso, mas destacar que de fato um escritor deve ter controle sobre que parte dos seus escritos devem participar de sua obra.
O volume Cuentos Completos, embora tente trazer os textos de Kafka o mais distantes possível das alterações de Brod, deixa isso bem claro: muitos contos sequer merecem essa classificação, não passando de notas ou fábulas, parábolas, enfim, textos menores do gênio de A Metarmofose. Percebe-se que Kafka era mais romancista que contista: seus melhores contos são, com raras exceções, os mais longos, aqueles que poderiam ser um capítulo de um longo romance psicológico.
Entre os curtos, as releituras de Sancho Pança e do embate entre Odisseu e as sereias se destacam. É um volume interessante para o pesquisador ou o escritor que procura identificar o desenvolvimento da escrita kafkiana, mas do qual deve passar longe o leitor comum, para evitar perder o gosto pela leitura do gênio de Praga.

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