Leituras recomendadas

Mais uma vez chegamos ao novo tempo de um novo dia que já começou, ou vice-versa, e com ele promessas e uma avaliação que sempre nos mostra que não cumprimos as promessas dos últimos novos dias de novos tempos que já começaram lá atrás. No meu caso, a promessa é sempre ler mais e falar mais sobre os livros lidos. Será difícil não conseguir isso ano que vem, em face da exiguidade de publicações no ano que se finda, também parco em leituras.

Deixo aqui a lista daquelas que mais me tocaram. Os números são só pra enumeração, não traduzindo uma ordem de preferência:

Ficção

1 – Alexis ou o Tratado do Vão Combate – Margerite Yourcenar – Um jovem músico covarde abandona sua esposa, despedindo-se por meio de uma carta onde assume sua homossexualidade. Yourcenar transforma essa premissa em uma obra-prima.

2 – Robinson Crusoe – Daniel Defoe – A fabulosa história do náufrago que sobrevive solitário por décadas em uma ilha deserta. Crusoe é o supremo self made man, e o livro é um dos marcos fundadores do romance moderno.

3 – Germinal – Émile Zola – As histórias vividas pelos homens, mulheres e crianças (e animais) das minas aqui retratadas compõem um dos melhores romances que tive o prazer de ler.

4 – A Montanha Mágica – Thomas Mann – Esse romance gigante em todos os sentidos é talvez o mais incrível de um gênero que foi comum entre os meados dos século XIX e XX: o romance do mal do século. Características básicas desse gênero: um jovem burguês herdeiro de certa riqueza, convencido de que está destinado a grandes feitos, que nunca leva nada adiante. Esse gênero foi elevado por grandes obras como Memórias Póstumas de Brás Cubas, A Consciência de Zeno, Oblomov e O Homem Sem Qualidades. Em a Montanha Mágica, Hans Castorp vai visitar por alguns dias seu primo, internado num sanatório para tuberculosos em Davos, na Suíça (sim, a mesma Davos do Fórum Econômico Mundial – e como o livro serve como metáfora para este evento!) e acaba ficando. São mais de mil páginas de uma vida que não acontece, e que belas páginas.

5 – Nihonjin – Oscar Nakasato – Hideo Inabata, avô do narrador, vem para o Brasil para que possa enviar riquezas para o Japão, e na sua busca por esse objetivo, e seus conflitos com seus filhos, vemos passar a história da imigração japonesa em nosso país, uma história muito bem abordada por Nakasato, repleta de fatos violentos que não imaginava.

6 – Contraponto – Aldous Huxley – Uma obra-prima de um dos meus autores preferidos. A forma como ele trabalha as vozes dos personagens, a importância dos acontecimentos, as análises da época, da fina ironia ao mordaz cinismo, tudo é incrível nessa obra.

7 – As Aventuras do Bom Soldado Švejk – Jaroslav Hašek – A obra inacabada do ex-combatente checo é fenomenal. Narrando as desventuras de Švejk até chegar ao front na Primeira Guerra Mundial, mostra o total desencanto com o militarismo, o Império e a guerra. Pra chorar de rir e rir de tanto chorar.

8 – Peter Pan – J. M. Barrie – Um dos maiores livros infantis de todos os tempos, com seus personagens arquetípicos e um enredo com muita aventura. Impossível não se emocionar.

9 – Obra Completa – Raduan Nassar – Um monstro da arte da linguagem.

10 – Ninguém Detém a Noite – Nivaldo Tenório – O segundo livro de Tenório é ainda melhor que “Dias de Febre na Cabeça. Um dos grandes contistas contemporâneos. Em breve sairá resenha por aqui.

Não Ficção

1 – Colapso – Jared Diamond

2 – Vida a Crédito – Zygmunt Bauman

3 – O Gene Egoísta – Richard Dawkins

4 – Como Organizar sua Vida Financeira – Gustavo Cerbasi

5 – O Mito de Sísifo – Albert Camus

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