Devoradores de Cadáveres

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Em Eaters of the Dead Michael Crichton oblitera as fronteiras entre ficção e relato histórico. Partindo do desejo de buscar raízes históricas para o mito de Beowulf, o autor parte das resenhas de viagens verdadeiras de Amad Ibn Fadlan (Fadalane na historiografia em língua portuguesa), árabe enviado em 921 como secretário do embaixador do califado de Bagdá em missão diplomática para a Bulgária do Volga, país hoje desaparecido.
Tomando trechos dos manuscritos originais, considerados os relatos mais antigos sobre os costumes dos povos nórdicos, para compor os primeiros capítulos, Crichton imagina o encontro do viajante árabe com um grupo de vikings liderados por Buliwif, e sua jornada a convite do rei Rothgar para livrar seu reino da ameaça milenar conhecida por Wendol. Para quem já conhece a lenda de Beowulf é muito interessante verificar as sutis alterações dos nomes de personagens, lugares e criaturas. Para quem não conhece, a história em si é muito boa, mesclando a descrição dos costumes e tradições vikings com sequências de drama e ação. A linguagem utilizada pelo escritor é fascinante: ele consegue mimetizar a linguagem corânica de Ibn Fadlan, não deixando em nenhum momento dúvidas de que o livro que temos em mãos é escrito pelo mesmo autor. Para tentar dar um tom mais realista e explicações científicas sobre os costumes nórdicos relatados e a possível origem do Wendol, o autor recorre a notas acadêmicas, algumas retiradas de fontes reais, outras fictícias. Até o Necronomicon de H P Lovecraft foi incluso na bibliografia recomendada.
Crichton recria a grande epopeia inglesa com um romance que possui brilho próprio.

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