Mais uma Crítica de Nem Tudo Cabe na Paisagem

Saiu mais uma resenha do meu livro de contos, publicado em 2018. Dessa vez foi o também escritor Wagner Marques, autor de Isso que Escorre (contos, uCarbureto, 2015) que fez sua análise sobre o livro, que compartilho com vocês:

Não é porque um ou outro é meu amigo que não costumo ser exigente com as suas publicações. Em se tratando do amigo @amanciosiqueirarosa criei expectativa extrema. Para o bem, me senti correspondido. Dos 11 contos que compõem o “Nem tudo cabe na paisagem”, em todos o autor dá vida própria a cada um. Sustentam-se sem precisar um do outro. Gosto disso. Não vejo nada de unidade entre eles. O que pra mim me agrada. Não gosto de livro de contos em que cada conto parece ser quase uma continuidade do outro, uma bengala; seja pelo trabalho com a linguagem, seja pelo estilo da narrativa. E o escritor Amâncio Siqueira consegue muito bem fazer com que cada conto se encerre em si. Cada história tem o seu próprio tom. No fim das contas, é isso que se espera de um contista exitoso: que saiba contar histórias como se fiasse um tecido caro. Amâncio faz isso com grande desenvoltura. Eu poderia fazer inúmeros comentários individuais sobre cada conto. Mas quero me deter no último conto, que é o “Atirei no que vi, acertei no que não vi”. Não é babação pra trazer o escritor pra o meu colo, mas sem dúvidas esse conto é um dos melhores textos que já li ultimamente, diante de uma avalanche de escritores contemporâneos. Mais pelo conjunto do que por algo pontual. A densidade psicológica e afetiva me fez procurar chão, principalmente diante do desfecho do conto. Imaginem-se diante do fluxo de pensamentos/recordações de um filho ao transportar (de outra cidade) o corpo-morto seu próprio pai, para velá-lo… O que vai te passando pela mente naquele momento? A narrativa nos coloca diante de uma dor que não há paisagem que caiba. Grande livro. Grandes contos. Amâncio fez valer a premiação do Prêmio que recebeu pelo livro.

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