O Vão Combate

“Dizia a mim mesmo, com rebeldia, que a natureza é injusta com os que obedecem suas leis mais claras, posto que cada nascimento põe em perigo duas vidas. Todos fazemos sofrer quando nascemos e sofremos quando morremos.

(…)

A vida me fez o que sou, prisioneiro (como queira) de instintos que não escolhi, mas aos quais me resigno, e essa aceitação, espero, na falta da felicidade, me trará a serenidade. Minha amiga, sempre te acreditei capaz de compreender, o que é mais difícil que perdoar.”

Marguerite Yourcenar

Em “Alexis ou o Tratado do Vão Combate”, Marguerite Yourcenar lança mão do romance (uni)epistolar para refletir de forma profunda e certeira acerca da vida. A longa carta de separação que Alexis escreve para sua esposa Mônica poderia facilmente cair na aridez do discurso e tornar-se entediante. A genialidade de Yourcenar não permite que tal ocorra, e o leitor encontrará em cada parágrafo uma pérola de estilo.

Alexis tenta traçar um esboço de sua vida, em especial antes de conhecer a esposa, e nessa rememoração busca a compreensão dela e também a reconciliação consigo mesmo. Embora o tema central seja um homem em conflito com a própria sexualidade, vemos descortinar-se um drama maior: o de homens e mulheres que vivem existências infelizes, amarrados a deveres sociais que os levam ao fundo de um oceano de dissabores, para o qual muitas vezes levam consigo outras pessoas, numa cadeia intrincada de obrigações que sufoca a todos. A metáfora perfeita aqui é a incompatibilidade entre o casamento do personagem e a música. Em certo momento, Alexis pede desculpas não por partir, mas por ter ficado tempo demais.

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Numa teia de acontecimentos bem montada, Yourcenar prende a atenção e conclui de maneira magistral seu pensamento: Não há combate mais vão que lutar contra a própria natureza.

 

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Melhores Leituras 2016

Uma característica comum aos leitores, a única talvez que abarque a todos, é estar sempre em busca de novos livros. Cresce o número de listas, assim como decresce o tempo disponível. Acredito que a maioria das listas acaba sendo mais útil para seu próprio autor, tanto para passar a limpo o que tem lido, como para possíveis releituras. Esse ano, resolvi alterar a metodologia da minha. Ano passado dividi em várias categorias e quando percebi tinha indicado quase metade dos livros que li em 2015. A mudança de método se deve, portanto, a dois motivos: primeiramente, não pretendo reler metade dos livros lidos; segundamente, uma lista que nomeie metade dos livros lidos é injusta. Leitores têm pouco tempo, então as listas devem buscar o melhor entre os melhores. Buscando um equilíbrio entre as possíveis releituras e indicações para leitores ávidos por novidades, decidi nomear apenas dez livros de ficção e cinco de não ficção. Alguns já foram resenhados por aqui, então falarei apenas sucintamente sobre cada um.

Ficção:

Guerra e Paz, de Tolstoi – Uma obra prima. O gênio russo parte das guerras napoleônicas para tentar provar suas teorias acerca da História; contudo, Tolstoi é tão bom que, mesmo partindo de premissas que prometem péssimas obras, cria grandes livros. Com capítulos narrados pelo ponto de vista dos personagens principais, é uma obra gigantesca em todos os sentidos.

Mentiras Contagiosas, de Jorge Volpi. Já resenhado. Leitura deliciosa.

1Q84, de Haruki Murakami – Basta dizer que é considerado por muitos como a principal obra do escritor japonês.

Así Empieza lo Malo, de Javier Marías – Resenhado por aqui. Um grande livro, desses que a releitura é obrigatória.

A Estrada, de Cormac McCarthy – Resenhado. A forma como o escritor une vigor narrativo com rigor linguístico o tornam um dos grandes escritores que já tive o prazer de ler.

O Pintassilgo, de Donna Tartt. Um tour de force. Obra excepcional, que diz muito sobre muito e ajuda e repensar o nosso tempo e nosso lugar no mundo.

Lysistrata, de Aristófanes – Tem uma breve resenha por aqui. Existe um motivo para que os clássicos sejam clássicos.

The Mist, de Stephen King – Também resenhado. Adorei esse livro. Pretendo reler muitas vezes.

A Consciência de Zeno, de Italo Svevo – Pretendo resenhar em breve. Posso dizer que parece um romance de Machado de Assis com um personagem que não sente culpa por transmitir o legado de nossa miséria.

Leite Derramado, de Chico Buarque – resenhado. Gostei muito desse romance.

Não Ficção:

A Era dos Extremos, de Eric Hobsbawn. Um excelente livro de história, traçando um amplo panorama do curto século XX, como define seu autor, partindo da Primeira Guerra Mundial até o colapso da União Soviética.

España y Viva la Muerte, Nikos Kazantzakis. Resenhado. O monstro grego relata suas viagens pela Espanha em tempos de guerra civil.

O Herói de Mil Faces, por Joseph Campbell – O autor traça paralelos entre vários mitos das mais diferentes culturas, para montar aquilo que chama de “Jornada do Herói”. Prato cheio para escritores e para aficionados por mitologia.

Aqui listarei dois por considerá-los obras complementares acerca da (pós)modernidade: Modernidade e Holocausto, de Zigmunt Bauman, que traça relações entre a modernidade e o nazismo, e Islam y Modernidad, do Slavoj Zizek, que tenta traçar um perfil do islamismo através de uma análise lacaniana.

A Sexta Extinção, da jornalista Elizabeth Kolbert, também já resenhado.

Depois das escolhas, vem o peso na consciência pelos que ficaram de fora. Há outros livros que resenhei por aqui e que podem ser ótimas opções de leitura. Dom Quixote e Grande Sertão: Veredas não entraram na lista por ser releituras.

Boas leituras para todos.

 

Vestígios do Antropoceno

“O que a história nos revela, com seus altos e baixos, é que a vida é muito resiliente, mas não dura para sempre. Houve longuíssimos períodos sem quaisquer eventos e muito, muito de vez em quando, “revoluções na face da Terra”.
Até onde podemos identificar as causas dessas revoluções, dá para ver que são bastante variadas: glaciação, no caso da extinção no fim do Ordoviciano; aquecimento global e mudanças na química dos oceanos no fim do Permiano; o impacto de um asteroide nos derradeiros segundos do Cretáceo. A extinção em curso tem sua própria causa original — não é um asteroide ou uma erupção vulcânica maciça, mas “uma espécie daninha”. Como me disse Walter Alvarez, “estamos observando, neste mesmo instante, que uma extinção em massa pode ser causada pelos seres hufmanos”.”

Elizabeth Kolbert, A Sexta Extinção – Uma História não Natural

Nesta obra de divulgação científica vencedora do Pulitzer de 2015, Kolbert relata as várias viagens que realizou nos últimos anos e as opiniões de grandes especialistas acerca do período geológico que estamos vivendo, o antropoceno, e suas implicações para o meio ambiente.

Traçando paralelos com outros períodos geológicos igualmente dramáticos para a biodiversidade, traz relatos das prováveis causas das cinco grandes extinções que ocorreram nos bilhões de anos em que a vida tem insistido em subsistir em nosso planeta. Passando por cavernas de morcegos dizimados por fungos, corais ameaçados pela acidificação dos oceanos, lagoas agora sem os anfíbios que lhes davam nome, montanhas já quase sem as neves que alentavam rios, vemos em nosso horizonte uma tenebrosa paisagem.

O livro está muito bem amarrado e documentado, e é um alerta contundente para aqueles que acreditam ser grande a diferença entre ter um livro nas mãos ou um machado:

“Embora seja ótimo imaginar que houve um tempo em que o homem vivia em harmonia com a natureza, não existem evidências de que isso tenha de fato acontecido.”

O ser humano destruiu e tem destru inúmeras espécies desde que pôs fim à megafauna, inclusive extinguindo outras espécies humanas. A autora pergunta “até onde iremos?” quando cita uma frase do ecologista de Stanford Paul Ehrlich: AO PRESSIONAR OUTRAS ESPÉCIES PARA A EXTINÇÃO, A HUMANIDADE ESTÁ SERRANDO O GALHO SOBRE O QUAL ESTÁ SENTADA.

De aceitar o que se foi

500_9789722038386_chico_buarque_leite derramado.jpg“Na velhice a gente dá para repetir casos antigos, porém jamais com a mesma precisão, porque cada lembrança já é um arremedo de lembrança anterior.

(…)
E debaixo do banho observei meu corpo fremente, só que neste momento minha cabeça fraquejou, não sei mais de que banho estou falando. São tantas as minhas lembranças, e lembranças de lembranças de lembranças, que já não sei em qual camada da memória eu estava agora.

(…)
Mas se com a idade a gente dá para repetir certas histórias, não é por demência senil, é porque certas histórias não param de acontecer em nós até o fim da vida.
Chico Buarque, Leite Derramado

Em Leite Derramado encontrei pela primeira vez em muito tempo uma narrativa confusa que me encantou. A obra de Chico Buarque não usa a confusão como marca de qualidade textual: é parte da trama, ou a própria trama. A confusão é o próprio caráter do personagem que faz um monólogo, contando fragmentos de sua história pra quem quer que esteja próximo o bastante para ouvir (algo comum aos velhos).

O centenário Eulálio D’Assumpção poderia lembrar o personagem principal de “O Ladrão do Tempo”, de John Boyne, com sua vivência permeada pelos grandes acontecimentos dos tempos vividos. Mas as duas obras não poderiam ser mais diferentes: Eulálio está internado num estabelecimento de saúde, doente, fragilizado, sem privacidade, e se refugia num passado de glória, nos Eulálios D’Assumpção que remontam até a sexta, sétima, oitava, talvez décima geração, sempre figuras ilustres, convivendo com o Marquês de Pombal, com o presidente Deodoro, o Imperador Pedro II… Sempre enlaçados ao poder, seja feudalista, escravagista, abolicionista, capitalista e quiçá comunista, se tal regime viesse a vigorar no Brasil.

O passado, contudo, esconde mais dores que prazeres, e logo percebemos que o saudosismo não consegue esconder aquilo que o corpo mostra: a decadência. A decadência que parece uma marca do país, e que acompanha os D’Assumpção. O narrador em alguns momentos, tentando destacar o “p” mudo, vai aos poucos demonstrando sua dificuldade em adaptar-se aos acontecimentos, embora tente manter as aparências. Entre as diversas camadas de memória, estão as mentiras criadas para justificar o desaparecimento de Matilde, a mãe de sua filha, o único amor de sua vida. Ao lado da trama dos Eulálios e do país, floresce a do abandono de Matilde, de como se conheceram, de como se amaram. Camadas e mais camadas de fatos, alusões e mentiras vão se justapondo para que o leitor tente remontar a história.

Leite Derramado é uma bela obra sobre a memória e o esquecimento, e também sobre a senilidade de uma classe que se recusa a aceitar que os tempos mudaram e se aferra ao passado, mesmo que tenha que se mudar para um puxadinho de uma igreja evangélica para se manter ao lado dos vencedores. Ou dos menos derrotados.

Ponto Cego

“That was when it started getting dark … but no, that’s not exactly right. My thought at the time was not that it was getting dark but that the lights in the market had gone out. I looked up at the fluorescents in a quick reflex action, and I wasn’t alone. And at first, until I remembered the power failure, it seemed that was it, that was what had changed the quality of the light, Then I remembered they had been out all the time we had been in the market and things hadn’t seemed dark before. Then I knew, even before the people at the window started to yell and point.
The mist was coming.” (Foi quando começou a ficar escuro… não, não exatamente escuro. Meu pensamento na hora não foi foi de que estava ficando escuro, mas que as luzes do mercado tinham sido desligadas. Olhei pra cima, pras lâmpadas fluorescentes por reflexo, e não fui só eu. primeiramente, até lembrar da falta de energia, pareceu que fosse isso a causa da mudança na luz. Então eu me lembrei de que elas estavam desligadas o tempo inteiro no mercado e ainda assim não parecia tão escuro antes. Então eu soube, antes mesmo das pessoas nas janelas começarem a gritar e apontar.

O nevoeiro estava chegando.”

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O Nevoeiro (The Mist) é uma novela de Stephen King inicialmente publicada em coletâneas nos anos oitenta e que só em 2007, quando do lançamento do filme homônimo, ganhou edição própria. King afirma ter vivido algo parecido a situação inicial do livro, quando David Drayton, após uma tempestade de grandes proporções, sai com seu filho de cinco anos, Billy, para comprar mantimentos num supermercado, deixando a esposa em casa. O livro está repleto de pensamentos e sentimentos que uma situação assim podem suscitar, iniciando com os cabos de eletricidade partidos na propriedade e indo num crescendo de horror claustrofóbico com a chegada do nevoeiro e os horrores que ele esconde (“One of the tentacles brushed delicately past my cheek and then wavered in the air, as if debating. I thought of Billy then. Billy was lying asleep in the market by Mr. McVey’s long white meat cooler. I had come in here to find something to cover him up with. If one of those things got hold of me, there would be no one to watch out for him-except maybe Norton” – Um dos tentáculos roçou delicadamente minha bochecha e então ondulou no ar, como se estive deliberando. Pensei em Billy então. Billy dormia no supermercado, perto do longo e pálido frigorífico de seu McVey. Eu tinha vindo ali para procurar algo com que enrolá-lo. Se uma dessas coisas me pegasse, não restaria ninguém para cuidar dele – exceto talvez Norton).

O livro é narrado em primeira pessoa por Drayton, que ganha a vida como pintor comercial, e King consegue dar credibilidade à narrativa mostrando a história desse ponto de vista. O narrador, muito ligado ao lado visual, está o tempo inteiro criando metáforas visuais, fazendo comparações das criaturas que surgem com os monstros infernais pintados pelos mestres do renascimento. Dá pra sentir o pânico que alguém tão ligado à luz e às cores sente ao não poder enxergar literalmente a mais que um palmo do seu nariz, numa situação limite bem próxima ao “Ensaio Sobre a Cegueira”, de Saramago, com sua cegueira branca revelando os horrores que se escondem na alma humana. A Senhora Carmody é uma excelente personagem, desenvolvendo-se junto com a trama de maneira precisa e mostrando como fanáticos, dignos apenas de riso em situações normais, podem com sua lógica contorcida arrebatar rebanhos de pessoas desesperadas pela adversidade: (I took her arm and recapped my discussion with Dan Miller. The riddle of the cars and the fact that no one from the pharmacy had joined us didn’t move her much. The business about Mrs. Carmody did. “He could be right,” she said. “Do you really believe that?” “I don’t know. There’s a poisonous feel to that woman. And if people are frightened badly enough for long enough, they’ll turn to anyone that promises a solution.” – Eu pegue-a pelo braço e recapitulei minha discussão com Dan Miller. O enigma dos carros e o fato de que ninguém da farmácia tinha vindo atrás da gente não a fizeram mudar de ideia. O caso de dona Carmody conseguiu. “Ele pode estar certo”, ela disse. “Você realmente acredita nisso?” “Não sei. Tenho um sentimento muito ruim sobre ela. Como se fosse venenosa. E se as pessoas estão bastante assustadas, por tempo bastante, elas se voltarão para qualquer um que prometa uma solução”)

O autor vai direto ao ponto, adotando um estilo bem diverso dos livros dele que li até o momento, em que metade da narrativa transcorre na mais absoluta rotina, com um ou outro episódio “sobrenatural”, até as coisas começarem a acontecer. A narrativa envolve o leitor como o nevoeiro, e fica difícil de sair. Mesmo conhecendo o filme, que é uma adaptação bem fiel ao original, com exceção do final, a cada página o suspense me arrebatou com mais força, tateando na palidez da neblina com seus personagens. Aliás, prefiro o final do filme, assim como o próprio autor já afirmou preferir. Em determinado momento o narrador fala sobre as críticas de seu pai aos finais de Hitchcock, apenas para terminar da mesma forma ambígua.

The Mist, no fim das contas, é a história de um pai tentando proteger seu filho de um mundo grande demais, absurdo demais, buscando fazer o melhor e descobrindo a cada passo que dá em direção ao futuro que o melhor que se pode fazer não é bom o bastante, e que em muitas ocasiões a tentativa de proteger pode ser pior que os perigos que espreitam lá fora.

A seguir deixo o link para a página da wikipedia sobre a história, para quem se interessar pelo histórico de sua publicação: https://en.wikipedia.org/wiki/The_Mist

Hesse em pequenas doses

Cuentos I, o primeiro volume dos contos de Hermann Hesse traduzidos para o espanhol, é uma coletânea capaz de enlouquecer aqueles que buscam “unidade” num livro de contos. Este primeiro tomo é um retrato da inventividade do autor, prêmio Nobel quando a academia premiava escritores de ficção. O conto “Karl Eugen Eiselein” lembra o “Aurora sem Dia”, de Machado de Assis, embora um tanto menos irônico. Acompanhamos um típico adolescente com um futuro brilhante que muda seu pensamento ao vento das estações depois de ir morar fora, e os conflitos que sua “alma de artista” suscita em relação aos seus pais. “El Reformador” tem semelhanças com o “Karl…”, embora aqui haja uma “alma religiosa” e o conflito seja com a pragmática namorada. Em ambos percebemos que o espírito hippie não é tão novo assim.

“De la infancia” é uma pérola de sensibilidade, que reflete a experiência do narrador com a doença de um amigo e suas reflexões acerca do primeiro contato com a perda. “El alumno de latín” traz um personagem que deixa de lado as aspirações artísticas e individuais em busca do amor físico. Tanto ele como “La marmolería” e “Mes de Julio”, parecem releituras do Werther de Goethe, tratando do louco e desesperado amor dos jovens, tão perigoso e facilmente esquecível. Os três formam um belo e trágico conjunto de possibilidades.

“Bajo el viejo sol”, “El lobo” e “Del taller” são pré-kafkianos, cada um à sua maneira, especialmente o último, que abre um recorte poderoso sobre o absurdo cotidiano.

“El enano” remete às novelas de Bocaccio ou de Cervantes, com seu narrador que conta numa taberna a história de uma bela princesa que vive feliz com seu papagaio e seu culto anão num palácio em Veneza, até que chega o amor na figura de um nobre voltando do oriente. Esse conto traz um rico universo, mostrando que a Itália foi o primeiro oriente dos alemães, e guarda surpresas que farão desvanecer a ideia de idílio que poderia a princípio evocar. É o meu conto preferido, embora seja difícil apontar um sócuentos-hesse.

História sem fim

indice

O artigo indefinido no título da história da Leitura de Alberto Manguel indica os caminhos que seu autor pretende percorrer: veredas incertas, errantes como os olhos do leitor vagando por estantes que, embora familiares, sempre guardam surpresas, mesmo que sejam as da redescoberta.

Sempre que quero ler sobre livros, os argentinos se sobressaem: leio agora El Último Lector, de Ricardo Piglia e La Vuelta Completa, de Saer, como sempre volto a Borges, Cortázar e Manguel, e sinto que não estou só.
Manguel lança mão de sua paixão pelos livros para criar tópicos deliciosos, como as histórias da Leitura do futuro e do roubo de livros, além de capítulos tristes como o dos livros proibidos.
Como todo bom bibliófilo, em muitas passagens deixa evidente que, quando se trata de livros, muitas vezes a informação está em segundo plano.
O leitor sai dessa história com uma paixão renovada e uma lista ainda maior de futuras leituras, numa busca pela construção da própria história da Leitura.